A montagem de Um Dia Ouvi a Lua propõe a coesão entre as raízes culturais, fruto das experiências vividas pelo grupo e a pesquisa na dramaticidade da limguagem e composição para construção dessa obra teatral. A linguagem utilizada é fruto de uma pesquisa que o grupo realiza desde 2000: o teatro Narrativo/Lírico, Teatro Nô japonês e a linguagem popular brasileira. O espetáculo é resultado de processo colaborativo entre dramaturgia, direção e criação de atores. As histórias são contadas e vivenciadas ora por atores/narradores, ora por personagens/narradores. As canções que inspiraram as narrativas do espetáculo, também são interpretadas ao vivo pelos próprios atores. Os fios que tecem as histórias, de dramas e conflitos, são regidos por brincadeiras de crianças que fazem parte da cultura identitária brasileira, principalmente envolta ao universo caipira do Vale do Paraíba. A simplicidade poética proposta na dramaturgia e na direção valorizou a performance dos atores e criou uma dialética entre narrativas e cenas, o que tornou o espetáculo uma partitura musical. As canções populares da região, e os diversos ritmos presente em festas tradicionais, como a Folia de Reis, foram reveladas e trabalhados na direção musical e nos arranjos desenvolvidos para o espetáculo. Os figurinos e adereços foram criados a partir de referências da cultura caipira do Vale do Paraíba, como as tradicionais figureiras da região. Já para a concepção de cenário a busca pela organicidade e pela originalidade se deu através do aproveitamento de elementos da cidade, como bambus, cipós e folhas secas de palmeiras exóticas, da espécie Latania, presente em diversos pontos públicos da região e o grande paisagem natural presente no Vale do Paraíba.