“A escuridão estende-se, mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
Anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
a pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuarmos.
E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam”.
(Carlos Drumond de Andrade. Nosso Tempo)
Talvez se pudesse começar esta ‘pretensiosa’ reflexão com algo próximo a: feliz o país que tem um artista-cidadão como Luís Alberto de Abreu... Se não assim, quem sabe: honrada a dramaturgia que tem em suas cadeiras um Luís Alberto de Abreu... De outro modo, ainda: dignificada a classe-confraria em cujas fileiras encontra-se Luís Alberto de Abreu... Mais que isso tudo: legitimada, justa, simples, brilhante e complexa a cultura popular reescrita/repensada/reconduzida por Luís Alberto de Abreu! Autor de um conjunto rigorosamente representativo da melhor dramaturgia brasileira (de todos os tempos) e sempre preocupado com as questões populares, éticas e épicas, Luís Alberto de Abreu: dramaturgo radical (no sentido de as essencialidades serem tomadas pela raiz), tem desde os anos setenta criado obras em que o homem-humanidade aparece buscando entender-se: “viver e contar. Certas histórias que não se perderam”.