Maria Peregrina

CRÍTICA - Por Haidee Bittencourt

Professora - ECA/USP- diretora teatral

Revivendo com pulsação o Vale do Paraíba

 

Maria Peregrina é da “forma” de Luís Alberto de Abreu. O autor foi buscar em fatos da tradição local, pesquisado pelos atores da Cia Teatro da Cidade, a inspiração para essa Maria. As personagens foram inspiradas nas figuras populares da região, com suas características humanas, suas músicas e suas festas tradicionais do Vale do Paraíba. Tudo acontece ao redor de Maria e nos deixa curiosos para desvendar quem é essa personagem. É todas as mulheres essa milagreira Peregrina!? Texto difícil de ser colocado em cena. Mas a Cia Teatro da Cidade venceu o desafio, revivendo com pulsação o Vale, sua gente, neste espetáculo.
A direção de Claudio Mendel conseguiu superar a barreira aparente do relato, e nos torna, desse outro lado (platéia), confidentes, cúmplices, do povo do Vale. Seu trabalho com os atores permite muita liberdade de criação ao elenco, reforçando o que o texto de Abreu solicita: simples, discreto, íntimo.
O elenco disciplinado na proposta da direção, coroa o espetáculo com interpretações equilibradas, desenhados, como sugere o texto. Elogiáveis as atuações de Andréa Barros (Mulher, Tereza, Louca e Mãe); Vander Palma, Márcio Douglas, Conceição de Castro e Karina Muller. Essas duas atrizes desempenhando papéis masculinos com veracidade, sem sentirmos a necessidade de serem interpretados por atores.
O cenário, figurinos e o tratamento musical, fazem desse trabalho, um espetáculo um trabalho digno e competente no cenário teatral brasileiro.
Maio de 2002

 
 
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